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Médica calculando o valor da consulta a partir dos custos do consultório · como precificar consulta médica, PleniHub Contabilidade
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Como precificar consulta médica: o cálculo que parte do custo

Como precificar consulta médica a partir do custo real: custo fixo por hora de agenda, ocupação real, imposto por dentro, taxa de cartão e margem. Com exemplo em hipótese e as regras do Código de Ética Médica.

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por Equipe Editorial PleniHub
Revisão: Lourival Cardoso, Contador Especialista em Saúde / PleniHub · CRC-SP 165344/O-2
13 de fevereiro de 2026 · atualizado em 21/09/2026 · 7 minWhatsAppLinkedIn
✦Resposta Direta
Para precificar consulta médica, parta do custo e não do preço do colega: some os custos fixos ao pró-labore que o médico precisa retirar, divida pelas horas de agenda realmente ocupadas e multiplique pela duração da consulta. Some o custo variável, aplique a margem e ajuste para que imposto e cartão saiam de dentro do valor. Esse é o piso.

Por que copiar o preço do colega é o erro mais caro

A forma mais comum de definir o valor da consulta é perguntar quanto o colega da mesma especialidade cobra e ficar um pouco abaixo. Funciona até o dia em que o médico descobre que o colega tem consultório próprio, sem aluguel, e atende 30 pacientes por dia. A estrutura é outra, o custo é outro, e o preço copiado não cobre a conta.

Preço de consulta é uma conta de quatro parcelas: custo fixo por hora de agenda ocupada, custo variável do atendimento, imposto e taxa de cartão por dentro, e margem. O mercado entra no fim, como teto, não no começo, como base. Este artigo mostra a conta na ordem certa. Ela é a mesma para consultório de um médico ou clínica com dez, e é a peça que faltava em gestão financeira para clínica médica.

Passo 1: o custo fixo por hora de agenda

Liste tudo o que a clínica paga todo mês com ou sem paciente: aluguel, condomínio, energia, internet, sistema de gestão, folha da recepção com encargos, contador, seguro, manutenção. Some o pró-labore que o médico precisa retirar para viver, porque o trabalho dele é o insumo principal e não pode ficar de fora da conta.

Depois, conte as horas de agenda que o consultório abre por mês. Não as horas que o médico gostaria de trabalhar: as que a agenda de fato oferece. Divida o total de custos fixos mais pró-labore por essas horas e você tem o custo de manter a porta aberta por uma hora.

💡 Dica PleniHub: o pró-labore que entra nessa conta é o que o médico precisa receber para trabalhar ali, e não o lucro que ele espera ter. Lucro é a margem do passo 4. Misturar os dois é a forma mais comum de subestimar o preço.

Passo 2: a ocupação real, não a agenda cheia

Aqui mora o erro que derruba a maioria dos cálculos. Uma agenda de 160 horas por mês não rende 160 horas de consulta. Tem falta, remarcação, primeiro horário vazio, semana de congresso e feriado. Se a clínica ocupa 70% da agenda, o custo fixo precisa ser dividido por 112 horas, não por 160.

O número de ocupação sai do sistema de agenda dos últimos seis meses: horas atendidas divididas por horas ofertadas. Consultório novo não tem esse histórico e precisa assumir uma ocupação conservadora nos primeiros meses, revisando quando os dados chegarem. Calcular o preço com 100% de ocupação é a garantia de que ele não cobre o custo em nenhum mês do ano.

Com a ocupação real, o custo por hora sobe, e é assim mesmo. O paciente que comparece está pagando a cadeira vazia do que faltou. A alternativa é reduzir a falta com confirmação e política de remarcação, o que é assunto de inadimplência em clínica médica.

Fale com a PleniHub sobre o preço da consulta na sua clínica

Passo 3: imposto e taxa de cartão entram por dentro

O valor que o paciente paga não é o valor que a clínica recebe. Do preço saem o imposto sobre a receita e a taxa da adquirente. Os dois são percentuais do preço, e por isso não podem ser somados ao custo como se fossem despesa fixa: precisam ser tratados por dentro.

O imposto depende do regime. No Simples Nacional, serviços médicos com Fator R de 28% ou mais ficam no Anexo III, que começa em 6% da receita; abaixo disso, caem no Anexo V, que começa em 15,5% (LC 123/2006, art. 18, § 5º-J). No Lucro Presumido, a carga é a soma de IRPJ e CSLL sobre a base presumida com PIS, Cofins e ISS sobre a receita. A alíquota efetiva do seu regime, no seu faturamento, é o número a usar, e o contador tem esse número. A comparação entre regimes está em Simples Nacional para clínica médica.

A taxa de cartão é a média ponderada do que a adquirente desconta em débito, crédito à vista e parcelado, pelo mix real da clínica. Quem antecipa recebível paga mais, e esse custo também é do preço.

A fórmula para tratar os dois por dentro: preço final igual ao valor que a clínica quer receber líquido, dividido por (1 menos a soma dos percentuais). Se a clínica quer R$ 200 líquidos e os percentuais somam 10%, o preço é R$ 200 dividido por 0,90, ou seja, R$ 222.

Passo 4: a margem que financia o prazo e o crescimento

Margem é o que paga o equipamento novo daqui a dois anos, o mês fraco de janeiro e o prazo de 30 dias do cartão. Uma clínica sem margem vive de antecipação de recebível, e antecipação de recebível é margem devolvida para o banco.

O percentual é decisão do médico, mas precisa ser um percentual explícito, aplicado sobre o custo, e não uma diferença que "sobra" depois de olhar o preço do mercado. A clínica que sabe qual margem quer consegue decidir com clareza quando o mercado não paga o preço calculado: reduz custo, aumenta ocupação, muda o mix de serviços ou aceita margem menor por um tempo, sabendo o quanto está abrindo mão.

Exemplo em hipótese: da estrutura ao valor da consulta

Os números abaixo são inventados para mostrar a conta. Não descrevem nenhuma clínica real nem valem como referência de mercado. Refaça com os seus.

Um consultório em Jacareí tem custos fixos de R$ 9 mil por mês e o médico precisa retirar R$ 15 mil de pró-labore. Total: R$ 24 mil. A agenda oferta 120 horas por mês e a ocupação real dos últimos seis meses é de 75%, ou 90 horas atendidas. Custo por hora ocupada: R$ 24 mil divididos por 90, ou R$ 267.

A consulta dura 30 minutos, então o custo fixo por consulta é R$ 133. O custo variável (material descartável, impressão, envio de receita) é R$ 7. Custo total: R$ 140. O médico quer 20% de margem sobre o custo: R$ 168 líquidos por consulta.

Com 180 consultas por mês, esse consultório fatura perto de R$ 34 mil mensais, ou R$ 410 mil no ano, o que o coloca na terceira faixa das tabelas do Simples. No Anexo III a alíquota efetiva nessa faixa fica em torno de 9%; somada a uma taxa média de cartão de 3%, são 12% por dentro. Preço final: R$ 168 divididos por 0,88, ou R$ 191. Se o mesmo consultório caísse para o Anexo V por não atingir o Fator R, a efetiva sobe para cerca de 17%; com o cartão, 20%, e o preço vai a R$ 168 divididos por 0,80, ou R$ 210. A diferença de R$ 19 por consulta, em 180 consultas, é o custo mensal de não planejar o regime.

EtapaContaResultado
Custo fixo + pró-laboreR$ 9.000 + R$ 15.000R$ 24.000 por mês
Horas ocupadas120 h ofertadas × 75% de ocupação90 h por mês
Custo por hora ocupadaR$ 24.000 ÷ 90R$ 267
Custo fixo por consulta de 30 minR$ 267 ÷ 2R$ 133
Custo total da consultaR$ 133 + R$ 7 de variávelR$ 140
Com margem de 20%R$ 140 × 1,20R$ 168 líquidos
Preço final (Anexo III, efetiva ~9% + cartão 3%)R$ 168 ÷ 0,88R$ 191
Preço final (Anexo V, efetiva ~17% + cartão 3%)R$ 168 ÷ 0,80R$ 210

Só agora faz sentido olhar o mercado de Jacareí. Se ele paga R$ 191, a conta fecha. Se paga menos, o médico sabe exatamente onde mexer: ocupação, custo fixo, duração da consulta ou margem. Sem a conta, ele só saberia que "está apertado".

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O que o Código de Ética Médica exige na hora de cobrar

Consulta particular tem preço livre. A Lei 9.656/1998 e a ANS regulam planos de saúde; o honorário privado fica fora dessa regulação. O que existe é o Código de Ética Médica, aprovado pela Resolução CFM 2.217/2018, e ele tem quatro artigos que todo consultório precisa conhecer antes de publicar uma tabela.

ArtigoO que vedaNa prática
Art. 58O exercício mercantilista da medicinaPreço pode ser livre; promoção agressiva, pacote "compre 3 leve 4" e leilão de honorário, não
Art. 61Deixar de ajustar previamente com o paciente o custo estimado dos procedimentosO valor da consulta e de qualquer procedimento é informado antes, não na saída
Art. 62Subordinar os honorários ao resultado do tratamento ou à curaNada de "só paga se funcionar"
Art. 66Praticar dupla cobrança por ato médicoConsulta paga pelo convênio não recebe complemento do paciente pelo mesmo ato

Do lado do consumidor, o art. 6º, III, do Código de Defesa do Consumidor exige informação clara sobre preço. Tabela visível na recepção e valor confirmado no agendamento resolvem os dois lados: o ético e o consumerista.

⚠️ Atenção: Desconto não é o problema; desconto escondido é. Reduzir o valor para um grupo de pacientes é decisão comercial legítima. O que o art. 58 e o CDC não aceitam é preço anunciado diferente do cobrado, ou condição de desconto que o paciente só descobre depois.

Convênio e particular não usam a mesma conta

Tudo o que está acima vale para o particular, onde a clínica define o preço. No convênio, o preço já vem definido pela tabela do contrato, e a conta se inverte: em vez de calcular quanto cobrar, a clínica calcula se o valor pago cobre o custo da consulta que ela acabou de apurar.

É por isso que a conta do custo por hora ocupada precisa vir primeiro. Sem ela, o credenciamento parece bom porque enche a agenda, e só a DRE do fim do ano mostra que cada consulta de convênio saiu abaixo do custo. Como fazer essa comparação, incluindo prazo de repasse e glosa, está em credenciamento em convênio vale a pena.

Checklist de revisão de preço

  • ✓Listar os custos fixos dos últimos três meses e o pró-labore necessário
  • ✓Puxar do sistema de agenda as horas ofertadas e as horas atendidas dos últimos seis meses
  • ✓Calcular o custo por hora ocupada e o custo por consulta pela duração média
  • ✓Confirmar com o contador a alíquota efetiva do regime no faturamento atual
  • ✓Calcular a taxa média de cartão pelo mix real de débito, crédito e parcelado
  • ✓Definir a margem como percentual explícito sobre o custo
  • ✓Aplicar a fórmula por dentro e chegar ao preço final
  • ✓Comparar cada tabela de convênio com o custo por consulta apurado
  • ✓Publicar o valor na recepção e no agendamento, e agendar a próxima revisão para daqui a 12 meses

Quem fecha essa lista deixa de discutir preço no achismo. A PleniHub faz essa conta com clínicas e consultórios de São José dos Campos, Jacareí, Taubaté e do restante do Vale do Paraíba, junto com a escolha do regime que decide os pontos de imposto por dentro do preço.

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⚠️ Aviso Legal: Este conteúdo é informativo e educativo. A legislação é complexa e pode sofrer alterações. Nenhuma decisão deve ser tomada sem consulta a um contador habilitado e análise do seu caso específico.

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Escrito por Equipe Editorial PleniHub
Lourival Cardoso, Contador CRC-SP 165344/O-2, revisor técnico dos artigos da PleniHub
Lourival Cardoso
Sócio-Fundador e Especialista em Gestão Tributária · Grupo LHC / PleniHub
CRC-SP: 165344/O-2
Médicos PJPlanejamento TributárioAbertura de PJVale do Paraíba

Sócio do Grupo LHC e especialista tributário, Lourival Cardoso atua como empresário contábil há mais de 30 anos. Atualmente é sócio-consultor do Grupo LHC, com escritórios em Santos e São José dos Campos, onde garante um modelo de assessoria contábil, BPO Financeiro e BPO RH, dentre outras soluções em gestão, focado em excelência.

Formado em Ciências Contábeis e em Administração de Empresas, iniciou sua carreira no setor corporativo na década de 1980 e seguiu para o empreendedorismo, sendo referência profissional e técnica na estruturação tributária segura, transparente e confiável para o setor da saúde (PleniHub) e diversos outros segmentos empresariais no país.

Revisado por Lourival Cardoso, Contador Especialista em Saúde / PleniHub, CRC-SP 165344/O-2, em · Apoio de IA · Revisão humana

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